quinta-feira, 2 de junho de 2011

As fontes na História

Real Academia de História espanhola vai alterar entrada sobre Franco no seu dicionário

A polémica entrada relativa a Francisco Franco no recém-editado Diccionario Biográfico Español vai sofrer alterações na versão digital, que ainda não tem data de publicação, anunciou a Real Academia de História espanhola. O assunto, notícia o “El País”, será discutido nesta sexta-feira numa reunião dos responsáveis da Academia, que emitiu entretanto um comunicado reconhecendo que algumas entradas precisam de ser revistas.

“Pode haver, sem dúvida, um subconjunto de entradas que necessite, perante o debate, de uma revisão historiográfica e editorial, susceptível de ser integrada de forma rápida na edição digital e em posteriores edições em papel”, diz o comunicado, citado pelo “El Mundo”. A Academia explica ainda que “as biografias são da responsabilidade dos seus autores” e que a instituição não as quis modificar “embora, por vezes, houvesse discrepâncias em relação ao conteúdo delas”. Mas defende-se garantindo que os seus membros “actuaram sempre […] com total independência, respeito pelo pluralismo e a liberdade individual, sob limites normativos (estatutos e regulamentos) ”.

O texto que originou a polémica é da autoria do professor Luis Suárez e, segundo as críticas que têm surgido, sofre de falta de rigor científico porque o autor tem uma clara simpatia pela figura de Franco, e não menciona, por exemplo, as dezenas de milhares de vítimas do franquismo.

Luis Suárez, sublinha o “El País”, é presidente da Irmandade do Vale dos Caídos e está ligado à Fundação Francisco Franco, o que lhe permitiu um acesso privilegiado a documentação relativa ao ditador, facultada pela filha deste, Carmen Franco – ditador é, aliás, uma palavra que Suárez se tem recusado a utilizar nas entrevistas que tem dado sobre o assunto.

A Real Academia tem sido criticada pela forma como são escolhidos os autores das entradas do dicionário, uma obra de 50 volumes (dos quais foram lançados 25 na semana passada) com 850 páginas cada. Historiadores respeitados que não pertencem à Academia não participam na obra, porque os membros da instituição podem escolher o assunto sobre o qual pretendem escolher, processo que levou Suárez a escrever a entrada sobre Franco.

in Público

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