sexta-feira, 1 de abril de 2011

A República, ponto de vista pessoal

Caros amigos, este meu texto de pouco tratará de fonte como ponto de partida a algum estudo. O que pretendo escrever é a partilha do meu ponto de vista pessoal sobre um assunto histórico.

A meu ver, o Fado não poderia existir em mais nenhum país do mundo a não ser em Portugal, isto porque fala de um estado de ser de um povo que se lamenta, mas ao mesmo tempo é feliz, a história de um povo que luta por ideais, mas ao mesmo tempo acaba em utopias, o fado também fala de saudade, sentimento de algo que já passou, mas que dói por não o termos no presente. O fado é a canção do povo, o que faz parte de uma busca incessante de se cumprir o que é ser português. E foi o regicídio tomar lugar precisamente onde séculos antes a inquisição acabou por matar centenas de inocentes...e no entanto essa "maldita" praça acaba por ser uma das mais belas do mundo...e eu pessoalmente gosto muito de por ali passear, vá-se entender? São ironias e curiosidades das quais não sei como explicar.

Se recuarmos à praça do Comércio naquele dia primeiro de Fevereiro em 1908, o povo estava para festejar a chegada do rei e de sua família de uma caçada de Vila Viçosa e de repente foi apanhado em surpresa pelo primeiro tiro, para em seguida ficar em estado de choque pelos sucessivos assassinatos que aconteceram naquele dia, não apenas aos dois herdeiros ao trono, mas também aos seus executores.

O meu avô na altura com apenas 9 anos de idade foi uma das testemunhas desse dia, mais a minha bisavó, e se quem quis cortar de forma drástica a monarquia em Portugal pensava que iria ter apoiantes naquele povo que dava vivas ao Rei, engana-se, no caso do meu avô ficou sempre monárquico, transmitiu os valores da monarquia à minha mãe, e eu, devo confessar que simpatizo sim, mas, de todo, tenho consciência que não seria concerteza D. Duarte Pio a figura que gostaria de ver sentado no trono português...portanto, tudo isto é muito complicado.

O Fado, voltando ao nosso Fado...enquanto definição também de destino, onde entra depois da morte ao Rei? Entra momento que o país não mais recuperou a sua estabilidade total. Tivemos monarquia durante quase 900 anos, ou bem ou mal, Portugal andava a governar-se assim já durante muitos séculos, toda a sua cultura, modo de vida económica e social estava ligado à monarquia...não foi por um punhado de republicanos que de repente a nossa identidade vira de um dia para outro uma republica...nada disso, o que nós temos desde 1910 é algo imposto, à custa de vidas, com enorme vontade de ideais republicanos vindos de elites intelectuais, homens letrados e dos quais ninguém lhes tira o valor, mas, repito, isto tudo o que escrevo aqui é do meu ponto de vista, foi um acto precipitado.

Analisemos que depois de ter sido Manuel de Arriaga eleito o primeiro Presidente português, até 1926, são 16 anos que se apelidam de primeira República houve 45 governos e 8 presidentes da Republica. E depois? sabemos muito bem o que houve, uma ditadura para acabar com a "rebaldaria" se estava a passar em Portugal, portanto, ninguém governava.

Hoje em dia, a instabilidade bateu-nos à porta mais uma vez, eu assisto a isto tudo de um modo sereno, sem alarme, porque sem saber bem como, Portugal sempre teve este dom de renascer das cinzas...Não importa seguir a Espanha ou outro país da Europa com melhor estilo de vida, pois jamais nos iremos encaixar nos modelos de sociedade seja lá de quem for...pois somos mesmo uma jangada de pedra.

O que nos resta mesmo será o Fado para consolar os dias que virão. E o tipico deixar andar português. Mas não nos devemos contudo limitar a ficar com o rótulo que estamos à rasca, vamos agir, pois por muito Fado que haja, o agir é palavra de ordem.

6 comentários:

  1. Fátima, querias um comentário, aqui vai.

    Julgo que te contradizes um pouco. Repara no ultimo parágrafo:

    "(...)O que nos resta mesmo será o Fado para consolar os dias que virão.(...)"

    e acabas com:

    "(...)pois por muito Fado que haja, o agir é palavra de ordem.(...)

    Em que ficamos?

    Referes a ideia do "deixa andar", como uma situação quase infinita, infindável e depois, colocas no ar, uma vontade, muito morna, quase fria, de agir!

    Temos de tomar partidos, se necessário, formar partidos! Temos de ensinar as nossas crianças a ter ideais! Sejam eles quais forem! Direita, Centro ou Esquerda, República ou Monarquia, não interessa! Isso será opção de cada um de nós! O que interessa é incutir nas novas gerações um registo de vontade, de participação! Não são as gerações "À Rasca" que vão resolver isto! São as gerações que agora ainda são crianças, 5, 6, 7 anos de idade, que poderão um dia, voltar a por isto a andar! E porquê? Porque, se tivermos o cuidado de os educar decentemente e de uma forma inspiradora, batalhadora , positiva e interessada, isto mudará com certeza! E acima de tudo sem PATERNALISMOS exagerados! O que sempre nos levou ao "subsidiozinho"! A criança é pequena e tem tudo, sem esforço, quando cresce…"agora tenho de trabalhar"? AH POIS É!!!!

    Repara que tu falas bem da monarquia, mas não queres ferir susceptibilidades! Pois, a seguir, e como é de um senso comum instalado, o D. Duarte Pio, não presta, como é que sabes isso? Alguma vez estudaste bem o homem? E dizes de maneira muito medrosa que, "(...)isto é o meu ponto de vista(...)". Bom, se estás a escrever um pensamento teu, será de certeza o teu ponto de vista! Não tenhas medo! Sê mais incisiva naquilo que acreditas! Vivemos no medo e é esse o nosso grande mal! E assim andamos, com pessoas que querem, mas não conseguem ter a coragem de tomar posições! Grita, sempre que tenhas oportunidade, a tua vontade, o teu sentimento, o teu partido, ao mundo! E como não te vejo maldade, só passarás o bem e o que é bom! Mas fá-lo sem medo!

    Dentro do fado, também há o fado corrido!!!

    Marco Marçal 5/4/2011 às 01h15mn

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  2. Fátima, Portugal não tinha problemas antes do regicídio? A razão de existir uma revolução deve-se apenas a uma cambada que por sinal era republicana? Eu fico confuso com esta visão. A única coisa que era estável antes do regicídio era o próprio rei porque esse herda o poder! Os primeiros ministros sucediam-se, a instabilidade era enormíssima e o país estava acabado de sair de um ultimato.As elites são sempre quem organizam as revoluções ou estávamos a espera que fosse o povo a organizar-se? Depois há uma coisa que me surpreende nos argumentos monárquicos que é de não se ter perguntado a ninguém se devíamos passar a ser republicanos. Pergunta: perguntaram se queríamos ser monárquicos?

    Não te esqueças de uma coisa, a história é um processo continuo e as revoluções não acontecem porque sim, mas sim devido a todo um sem número de situações que culminam no 5 de Outubro.

    Já agora fazer comparações entre a crise e o regime republicano é uma forma pobre de se argumentar as nossas opções políticas.

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  3. Marco, concordo com o que defendes sobre o educar. Há que ensinar os filhos a desenrascarem-se. Eu usei mto de ironia no final do texto...se calhar n foi isso q consegui transmitir.

    Filipe, este texto reun-se em alguns contextos, o do meu avô que assistiiu ao regicidio e a estória por detrás...o fado que para mim está incerido na nossa História...e ponto de vista PESSOAL de monarquia versus crise etc...

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  4. Talvez seria bom «inserir» um dicionário nestas prateleiras que vemos! Consulta ao dicionário poderá ajudar a reduzir muitos erros de ortografia neste nosso blogue! Muito oralizar pode intensificar os problemas ortográficos!

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  5. O regicídio e a república são temas que gosto bastante. Para compreendê-los temos que analisa-los como um processo. O regicídio é o pico no decorrer do processo. É preciso ver a conjuntura, ou seja, ver aquilo que conduz ao pico. Deixo, portanto, aqui, algumas ideias para analisar este período tão conturbado da história nacional: O desenhar da crise da monarquia, que levou ao seu descrédito; o rotativismo: partido regenerador e progressista; a questão do mapa cor-de-rosa que colocava em perigo as colónias; a
    propagação cada vez maior do partido republicano, com mais adeptos; a influência da maçonaria e da carbonária Portuguesas, onde participaram alguns intelectuais Portugueses; a questão dos tabacos e dos adiamentos à casa real, que desacreditou ainda mais a monarquia; a ditadura de João Franco, que representou a cereja em cima do bolo; O período da acalmação de D. Manuel e o exílio para Inglaterra que encerrou uma página negra da história portuguesa; Os heróis da rotunda com Machado Santos na vanguarda. Ficam aqui algumas ideias para os oralistas.

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  6. Diogo,

    É óptimo ter-te aqui mas a única coisa que apresentas são factos dos livros. Concordas cOm o que a Fátima disse? Porque? Qual a tua opinião em relação ao que foi aqui dito?

    Força aí camarada!

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