terça-feira, 29 de março de 2011

Recensão critica feita por Vitor Fuseta

Na Crónica “De Macau até à Índia: o fim da História” escrita por Miguel Sousa Tavares, em 1998 para o Jornal “O Público”, deparamo-nos com uma metáfora referente aos descobrimentos portugueses do século XV. A verdade é que, Miguel Sousa Tavares de uma forma objectiva e frontal, critica a actuação dos portugueses em Macau e a maneira como Macau é vista – como uma “forma de dinheiro fácil”, bem como o facto de Portugal ter tido a hipótese de se retirar de lá durante muito tempo, deixando-se arrastar por um longo período que só iria terminiar em 1999. Paralelamente, segundo Sousa Tavares, enquanto os Portugueses anseiam que chege essa data (1999), comemoram a Expo 98 – Exposição Internacional de Lisboa de 1998 – que alude à viagem de Vasco da Gama até à Índia, o que traz uma certa ironia, visto que quer a Índia quer Macau foram descobertas graças aos Descobrimentos Portugueses pelas mesmas razões: políticas e sobretudo económicas; é neste contexto que Miguel Sousa Tavares critica José Mattoso e António Hespanha.
O Autor da crónica não concorda com Mattoso quando este afirma que não se deve fomentar o mito em história (relativamente à Expo 98). Todavia, para mim, tem Mattoso uma certa razão no sentido que para uma análise histórica e crítica histórica, este não é propriamente viável devido ao seu carácter fantasioso, imaginário e didáctico que de natureza histórica pouco ou nada tem. Se pelo contrário, Mattoso declarasse o não fomento de lendas aí já poderia concordar com Miguel Tavares, pois estas possuem uma maior veracidade histórica interessando em larga medida para a crítica histórica. Todavia, podemos dizer que o povo português vive de mitos, vive de ídolos, de personagens que se destacaram e que eliminar isso é extremamente dificil, contudo dev-se fazer um esforço para tornar esses mitos, ídolos, personagens o mais credível possível através de uma maior crítica histórica junto da população portuguesa.
De facto, sim cada povo deve exaltar a sua história, os seus feitos, mas não o deve fazer de qalquer forma, para celebrar a história é preciso que esta tenha um fundo verdadeiro, que não seja falsa, que não esteja envolvida em inúmeras incertezas, e é isso que Mattoso queria afirmar, havendo possivelmente uma interpretação errada aqui de Miguel Sousa Tavares, quando assegura que Mattoso vai contra a exaltação da História.
O que de facto concordo com Miguel Sousa Tavares indubitavelmente é o facto de ao celebrar algo, não estamos a esquecer as consequências negativas que isso trouxe ou possa ter trazido, porque elas vão estar sempre presente no nosso dia, tendo sempre um reflexo no futuro. A história não deve ser julgada mas sim compreendida de uma forma justa, verdadeira e contextualizada na sua época, pois um Historiador que se preze tem que saber abstrair-se de qualquer juízo de valor não se esquecendo, porém que vive num tempo diferente cujos pensamentos, valores ou tradições mudaram, e que não se pode antecipar o futuro. Mattoso fez de facto um juízo de valor, mas não à luz de pensamentos ou argumentos terceiro-mundistas, mas sim à luz do que a ambição nos homens traz, quando se referiu à violência e à opressão na Índia
Em suma, a História de um povo não é perfeita e nunca o será, devido às pecularidades e características de uma pessoa humana, porém deve ser contada, deve ser exaltada, sempre com um fundo histórico verdadeiro e apoiado em factos históricos comprovados, não esquecendo quer a importância das massas quer a importância de personagens que emergiram dessas mesmas massas, pois cada indivíduo tem o seu papel na história.

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