terça-feira, 29 de março de 2011

Recensão critica feita por Rui Rodrigues

1-Explicitação objectiva do assunto:

Miguel Sousa Tavares, escreveu um artigo de opinião dividido em três partes.
Primeira: abordagem á descolonização de Macau ou o fim da administração portuguesa de Portugal nesse território
Segunda: Uma crítica sobre as celebrações do 5º Centenário da viagem a Índia de Vasco da Gama
Terceira:
Crítica ao historiador José Mattoso sobre a viagem de Gama e questiona o papel da História, contestando as opiniões expressas por este historiador, no jornal "Publico", de 13 de Maio de 1998.

2- Criticas específicas contidas no artigo
O autor, critica severamente Portugal, por legitimar um território que não passa de um casino, de um bordel, de bandos de criminosos organizados, onde a bandeira portuguesa está hasteada sem dignidade.
Miguel Sousa Tavares, pensa que as inúmeras viagens dos governantes e o fechar de olhos ao que se passa em Macau é uma mentira coberta por um pacto de silêncio, chamado de Desígnio nacional.
Para o autor ao contrário das descolonizações africanas, em Macau houve e há tempo para preparar a saída porem o estado português prefere alimentar-se da galinha dos ovos de ouro, ou seja, dinheiro fácil.
"Quando o estado resume a sua função a um croupier não há dignidade que resista". Com o dinheiro do jogo ainda se fizeram algumas obras públicas, mas e difícil transformar dinheiro sujo em dinheiro limpo.
O jogo, o crime, a prostituição, a droga, os bandos organizados são realidades mascaradas por interesses económicos, tanto por Portugal como pelo território de Macau.
Miguel Sousa Tavares diz que um estado que se alimenta do jogo e um estado que fomenta o crime. Assim ele pensa que se devia abandonar de imediato o território.


Na segunda parte, são criticadas as celebrações do 5º Centenário da viagem a Índia de Vasco da Gama e a comissão encarregada de comemorar as descobertas.
O autor acha um exagero a obra da Expo-98 pelo gasto de dinheiro vindo dos impostos dos contribuintes.
Ele interroga-se qual será o espaço dedicado a Vasco da Gama e a Índia e põe em causa o tema "os oceanos".
Miguel Sousa Tavares manifesta um profundo descontentamento com o comissário das descobertas


Na terceira parte: Critica o historiador José Mattoso sobre a viagem de Gama e questiona o papel da História, contestando as opiniões expressas por este.
O autor, mais uma vez critica na pessoa de José Mattoso o miserabilismo das celebrações da viagem de Gama, pois Miguel Sousa Tavares acha que o historiador trata este facto de uma maneira superficial, não lhe dando a importância merecida.
O autor é contra a história ser feita pelas massas e os grupos sociais e não pelos chefes ou génios, apelida estas teses de marxistas e antigas, não pode haver história se os chefes ou os heróis desaparecerem. Ele compara esta tese aos tempos do PREC (tempos vividos imediatamente a revolução de 25 de Abril), onde a concepção marxista da história chegou ao ponto de fazer desaparecer os grandes nomes dos heróis da história de Portugal. O escritor cita várias vezes Mattoso e as suas ideias sobre a consistência histórica e interroga-se, se figuras históricas como Bartolomeu Dias ou Fernão de Magalhães foram um mito e também se questiona como teria sido a história sem Colombo, sem Infante D. Henrique, sem o Marquês de Pombal e sem Salazar, teriam as coisas acontecido da mesma forma?
Miguel Sousa Tavares, por fim fala-nos do argumento terceiro-mundista utilizado por José Mattoso ao referir que Gama também foi responsável pela guerra, violência e opressão na Índia. O autor acha que um historiador deve julgar a história no seu contexto exacto e não segundo os valores da actualidade e ironiza ao ponto de questionar se foi Vasco da Gama que ensinou a Índia a fazer bombas atómicas. Ele conclui que José Mattoso e António Hespanha, tratam os outros como "provincianos" e eles os donos do conhecimento, que apesar de defenderem a história e os feitos históricos, tendo por base as massas, recusam-se a partilhar os seus conhecimentos com essas mesmas massas.


3-A minha reflexão critica:
Quanto ao tema de Macau estou de acordo apesar de não concordar com a comparação com as descolonizações africanas, pois são contextos diferentes e não nos podemos esquecer que em Macau a maioria da população não era portuguesa, logo não poderíamos adoptar um modelo etnocêntrico, mas sim um modelo relacional de respeito pelo multiculturalismo que e na minha opinião, foi erradamente interpretado por Miguel Sousa Tavares como cúmplice.
Em relação á Expo-98, enganou-se, pois ainda é uma referência de Portugal e um espaço de cultura e testemunho histórico.
Quanto ao historiador José Mattoso, estou em completo desacordo, pois partilho da ideia que todas as obras históricas ou feitos históricos celebram sempre as massas, ou seja, o povo português. Também considero que os vários heróis da história portuguesa são devidamente celebrados, tanto no dia-a-dia, como por exemplo nos currículos escolares, como no plano nacional, como por exemplo o dia de Portugal e de Camões e até porque Camões ao escrever os Lusíadas, na parte da Dedicatória, dedicou a sua obra, nas também os grandes feitos históricos ao povo português e não passa pela cabeça de ninguém, apelidar Camões de um autor marxista.

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