quinta-feira, 17 de março de 2011

Mudança de atitude! Podemos partir daqui... da Idade Média até hoje...

Pegando neste pequeno trabalho, penso que posso para dar uma ideia,partindo da História de Portugal, revisitada por José Mattoso e criar espectativas do modo que podemos usar, para projectar o Futuro!

Este pequeno livro deveria ser obrigatório nas aulas do Liceu!

Recensão Crítica

Livro estudado: “O essencial sobre A FORMAÇÃO DA NACIONALIDADE”
José Mattoso, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2007


Um livro que levanta questões essenciais e sugere análise à essência da questão proposta.


A fundação do Estado é estabelecida, pelo autor, em D. Afonso II e refere como possibilidade, a revolução e a crise de 1383-1385, como sendo o culminar da consciência nacional, alargada a todas as classes. Passa pela análise do início do movimento cultural, pelo menos, do identificável com o País, que é o dos trovadores galego-portugueses. Indica a época concreta, segunda metade do Séc. XIII, o que coincide, segundo o autor, com o período de montagem de um Estado verdadeiramente nacional. Há uma análise etnográfica e antropológica implícita, e mostra a multidisciplinariedade, com que um historiador deve exercer o seu ofício e produzir a sua historiografia. Mostra as diferenças entre ferramentas usadas nas várias regiões; idades de primeiro casamento, estruturas de parentesco e dos próprios sistemas económicos-sociais, por exemplo.
Faz uma observação muito concreta dos símbolos nacionais, e remete, para futuras investigações cuidadosas, o uso das armas régias como sinal de identificação assumido pelos portugueses, situação que ainda hoje se verifica.
Problematiza os efeitos das centralizações de poder, nas cidades, que ocorreram ao longo de vários séculos. Sendo mesmo, uma das questões mais importantes para o autor. Isto leva-o, a revelar-se altamente crítico para com o que chama de desprezo das diferenças ou ignorância. E vai mais longe. Refere a destruição dos valores culturais profundos que identificam a nacionalidade. É incisivo em relação às tendências centralizadoras, que culminaram nas actividades da Inquisição e no totalitarismo de Pombal.
Passando pela análise económica, esmiúça a incapacidade, desde os primórdios da nacionalidade, para a produção artesanal no País. Com uma tendência de obter recursos a curto prazo, Portugal nasce, e assim a sua identidade, que ainda hoje se revela numa impotência, incompreensível, segundo o autor, pela eventual falta de matérias-primas importantes.
Em resumo e revendo o contexto histórico, desde os tempos pré-históricos até à classe dominante, ou minoria culta, como o autor a eles se refere, concluímos a análise da obra. José Mattoso denota uma necessidade de repor alguma ordem no pensamento nacional e manifesta a intenção de propor, até, ordem de cariz político. Esta obra toma proporções de crítica concreta à manifesta falta de conhecimento ao nível dos intervenientes políticos nacionais. Vai elevando este cariz ao longo da sua leitura. Sendo uma obra de 1985/86, verifica-se a necessidade de fornecer pistas, dentro de um período político/económico conturbado da história de Portugal, que continua válido em 2011. Possivelmente ainda mais válido.

Esta obra contribui assim, para uma melhor análise das diferenças, que um território, relativamente pequeno, tem na sua essência. Dá um contributo às novas gerações. Propõe, uma análise cuidada de todos os factores que criaram a identidade nacional portuguesa e os cuidados a ter, na forma como a política é feita, de onde e por quem é praticada. Será, que, alguém com responsabilidades de “domínio” o leu?



Marco Randal Costa Marçal

6 comentários:

  1. a criação de um país é algo complexo e não acontece de um dia para o outro. será que valeu a pena construir um país que passa o tempo em crise?

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  2. A questão não é se valeu a pena construí-lo... é como foi construído, e o que se pode observar, a partir daí, para melhorar. Agora já tá feito! Temos de seguir em frente!Teremos mais 900anos de história de crises? Seremos sempre o Velho do Restelo? Não quero! Não se pode ensinar um cão a voar, mas um(a) já foi ao Espaço! Temos de colocar a nossa "Laica" dentro do foguetão!

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  3. Diz José Mattoso que "a nação não tem certidão de nascimento"! É uma afirmação paradigmática que merece reflexão contínua. A nacionalidade é um processo que contínua. A consciência desta nacionalidade pode tanto crescer como decrescer! É um produto da burguesia que é oportunista. Faz barulhos «nacionalísticos" segundo conveniências!

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  4. A burguesia nunca se encontra disponivel para perder os seus direitos e regalias. Quando a nossa burguesia se fartar destas governações para o voto aí teremos mudanças profundas na nossa sociedade. Resta saber em que sentido serão estas mudanças.

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  5. Marco só agora li. Estás de parabéns!

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